quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Vale a pena esperar...

Ao longo dessa minha vida eu não conheci ninguém que gostasse de esperar.
Embora já sejamos biologicamente programados para a espera, nosso mundo cada vez mais tecnológico nos desacostumou aos processos mais lentos. Já não precisamos esperar dias pra chegar a correspondência, bastam segundos pra que a mensagem seja visualizada do outro lado do mundo.
Esperar 30 segundos diante do microondas ou 5 segundos pra começar um vídeo no youtube chega a ser torturante...

Agora se já é difícil esperar quando se está vendo quanto tempo falta, quanto mais difícil é esperar quando não se sabe quando vem...
Isso mesmo.

Imagine que você está aguardando alguém chegar e esse alguém sinceramente confessa "Estou atrasado. Só vou chegar daqui a meia-hora". rs
Claro que a espera ainda é irritante, mas quando se sabe quanto tempo vai levar, fica bem mais fácil. Se o outro só vai chegar daqui a meia-hora, dá tempo de eu caprichar na maquiagem, checar meus e-mails, tirar a sandália e assistir um pedaço daquele filme.

Agora quando o outro diz "Tô chegando!", então eu vou esperar que ele chegue no próximo minuto (e é claro que isso não vai acontecer). Eu não vou fazer nada nesse tempo porque ele pode chegar a qualquer momento...Talvez ele só chegue em meia-hora, mas esses 30 minutos vão parecer 30 dias.


Resolvi falar sobre isso pra testemunhar algo que estou vivendo.

Quem me acompanha por aqui ou me conhece profundamente sabe da minha vontade de encontrar alguém (leia aqui), mas quero confessar que por muitas vezes eu esperei angustiada. Talvez como no segundo caso, parecia que a qualquer momento ele ia chegar, mas ele não chegava nunca.

Até que, recentemente, eu reencontrei uma pessoa. Já tínhamos uns 3 anos de amizade e eu sempre fui encantada por seu jeito, mas até ali não o tinha encarado como possibilidade. De repente, me despertei pra isso e coloquei esse desejo no coração de Deus. E em todas as minhas orações e partilhas com amigos, Deus sempre me respondeu: ESPERA!

"Espera no Senhor e sê forte!
Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!"
(Salmo 26, 14)

Tá, Senhor, eu espero. Mas quanto tempo? O Senhor me faria a gentileza de me informar, porque aí fica mais fácil, né?
Não. Ele não me informou. rs. E eu tive que pacientemente esperar.

Mas dessa vez, eu não fiquei plantada na porta esperando que ele chegasse. Eu sabia que ele poderia chegar a qualquer momento, mas mesmo assim, eu fui retocar a maquiagem, sabe? Eu resolvi que eu poderia esperar, mas que nesse tempo eu poderia melhorar algumas coisas por ele. Eu me ocupei em ser melhor, em buscar diagnosticar meus defeitos e me propor mudanças.

Nesse tempo de oração e espera, eu chorei também. Alguns dias eram muito difíceis e minha vontade de desistir era enorme. Mas Deus ainda me sussurrava: espera! No outro dia eu acordava melhor e me preenchia de Deus, pedia que Ele me completasse até que eu transbordasse, porque eu não queria alguém pra tapar meus buracos, mas eu queria amar profunda e gratuitamente, sem esperar recompensas.

Então eu tive a experiência viva daquela palavra: Buscai o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais lhe será dado em acréscimo.

De repente, não mais que de repente, ele chegou.
E a alegria da chegada foi tão grande que eu já nem podia mais me lembrar da angústia da espera. Parecia que nem foi tão difícil esperar...
É claro que foi, mas é que valeu a pena.

Eu não vou contar tudo agora, ainda tenho assunto pra vários e vários textos falando sobre como o amor chegou em minha vida, mas hoje resolvi escrever sobre esse pequeno detalhe:

Espera no Senhor!
Confia no Senhor!

Aproveitando esse tempo do Advento, em que aguardamos a vinda do Menino Jesus no Natal, eu quero lhes dizer: Não esperemos de braços cruzados.
Façamos o nosso melhor, nos ocupemos em corrigir nossas faltas, em pedir perdão, em perdoar, em nos reconciliarmos com todos. 

Se você está esperando o amor da sua vida, o resultado do vestibular, ser chamado no emprego dos seus sonhos... se está esperando ficar grávida, ou se já está esperando pelo bebê... se você está esperando 2015 chegar logo, ou se está esperando que a tempestade passe e venha a calmaria...

espera em Deus e confia nEle.

Mas não fique parado.
Espere caminhando.
O Kairós está logo ali...





quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sem vergonha.

Hoje um colega de trabalho entrou em minha sala e disse que eu estava muito bonita e ficava muito bem nesse uniforme. rs
Eu sorri, agradeci a gentileza.

Ele disse que não era gentileza, era a verdade.
Ressaltou que ele faz questão de dizer para a própria pessoa o que as pessoas acabam comentando pelas costas.
Fiquei lisonjeada novamente.

Então ele concluiu seu pensamento dizendo que nos velórios as pessoas normalmente ficam lamentando a perda e dizendo: "Fulano era tão bom". Será que alguém chegou a dizer pro Fulano o quanto ele era bom?

Nosso diálogo durou menos de 1 minuto, mas a reflexão vai durar bem mais.

Eu tenho percebido que as pessoas não saem de suas fronteiras, não se dirigem às outras, não expressam seus afetos e justificam tudo com um sentimentozinho irritante a que chamam de vergonha. Isso deveríamos ter de nossas faltas, de nossas limitações. Não deveríamos ter vergonha do que somos, de falar nossas verdades, de ir até o outro, de dizer que amamos.


Temos brigado tanto por uma liberdade de pensamento, liberdade de expressão... e nos aprisionamos cada vez mais dentro de nós mesmos, seguindo a ditadura da timidez.

"Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder... se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer." (Lulu Santos)

Por que esconder?
Por que temos medo do sentir?

Me lembro de quando eu fazia 1ª série e tinha aqueles dois garotos:

- O Valtinho, que era filho da dona da escola, e dançou quadrilha comigo (tenho até foto com ele). 
Certa vez, minha mãe foi chamada na direção, mas não por alguma indisciplina. A diretora quis contar pra ela que o Valtinho estava apaixonado por mim, e que ele nem estava brigando mais pra tomar banho de manhã porque queria chegar cheiroso na escola. (Um adendo: morro de vontade de ver o Valtinho. Alguém sabe por onde ele anda? kkk)

-O Diogo, irmão gêmeo do Diego que gostava da minha irmã gêmea, também se dizia apaixonado por mim. E um dia eu até recebi uma carta linda (com uma letra garranchada) acompanhada de uma caixa de chocolates da Garoto.

Ah... tempos bons eram aqueles em que a gente podia gostar, jurar amor eterno, escrever carta quilométrica perfumada, depois mudar de escola e pronto! Se apaixonar por outra pessoa. rs

Amar não é crime. É virtude.
Então, se você ama alguém, se admira por alguma qualidade, é encantado por uma atitude... DIGA!

Por um mundo onde haja LIBERDADE DE SENTIMENTO (e claro, a expressão do que sentimos).


"O que falta no mundo não é Amor.
Mas a expressão do amor." (Fernando Bacelar)




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre o direito de ser simples!

Desde criança sempre fui popular.
Nunca fui aquela patricinha de Beverly Hills com um cabelo loiro esvoaçante andando com as meninas bonitas do colégio, mas eu tinha outros artifícios.

Pra começar sou gêmea e, mesmo que não haja nada de extraordinário nisso, as pessoas se encantam com o fato de duas pessoas com personalidades e almas diferentes terem uma imagem tão semelhante. Ser gêmea sempre me colocou no alvo das atenções na rua, no colégio, na igreja ou em qualquer lugar.

“Fala com a Jessica” “Qual Jessica?” “A das gêmeas!” “Ah, sei!”.

Há alguns dias, uma mulher me reconheceu numa Igreja por causa do CD e foi correndo chamar o marido: “Olha, Bem, é as gêmeas!”. Achei graça porque não estava com a Jennifer. Mesmo assim eu era “as gêmeas”. Hahaha

Além desse fato natural e genético, eu sempre fui boa em aprender. Estava nas melhores classificações das notas, ensinava matemática e física pra todo mundo. Tenho uma memória razoavelmente boa (tá bom, minha memória chega a ser meio assustadora!). Nunca fui a nerd que se sentava na primeira cadeira, mas era aquela que aprendia na primeira explicação, não estudava em casa, mas me saía muito bem nas provas. Você já deve ter odiado alguém assim, né? Desculpe pela parte que me toca. Rs

E por último, mas não de menor importância, sou artista. Eu canto desde que me entendo por gente, toco violão desde os 13 e componho desde os 14. Ao longo da minha vida eu não conheci um ser humano que não gostasse de música, sendo assim, é natural que as pessoas se encantem pelo que faço.

Bem, a essa altura você deve estar certo que sou mesmo popular e conhecida por onde passo, né? Mas já vou te mostrar aonde quero chegar...


Nessa fase da minha vida, conheci de perto algumas pessoas e celebridades que admirava, pude cantar com uns, almoçar com alguns, e ter conversas bem profundas com outros. E o que sempre percebi: eles nunca são como imaginávamos. Quando eu os ouvia pelo meu celular ou os assistia pregando na televisão, eu criava ali uma imagem bem distante do que são.
Quando eu os pude conhecer de perto, percebi que são todos humanos.  Alguns chatos e exigentes, outros introspectivos e fechados. A verdade é que nós os “conhecemos” de longa data, acompanhamos seus trabalhos, os levamos pra dentro de nossas casas, de nossas histórias e os fazemos cúmplices de nós... Mas eles? Eles não nos conhecem. Por que motivo deveriam nos tratar como se fossem nossos amigos íntimos?

Hoje, de certa forma, experimento como é estar do outro lado. Ser reconhecida em quase todos os lugares, ter pessoas que me admiram e outras até bajuladoras. Essas pessoas têm expectativas sobre mim, sobre o que sou. Elas conversam comigo, me trazem seus problemas, pecados e anseios. Elas me tratam como se eu fosse visita ilustre em suas casas.

Mas eu ainda sou só eu. Embora seja bem extrovertida, eu também tenho meus momentos de mau-humor e impaciência, eu também sinto vergonha e fico constrangida.
Não desmereço o reconhecimento, ou a fama por assim dizer. Hoje tenho um poder de influência muito grande, o que é ótimo pra evangelização ou pra simples exposição das minhas ideias. O que antes era publicado entre 10 ou 12 amigos, hoje alcança milhares de pessoas. E eu também gosto, como ser humano, de que as pessoas valorizem meu trabalho, apreciem minha arte, respeitem o que sou.

Mas eu não sou perfeita. Não sou célebre. Não sou melhor ou mais cristã do que a Dona Maria que não vai à Igreja, mas confia cegamente na misericórdia de Deus.
Eu ainda sou aquela menina simples, desastrada, teimosa, que sonha em ser mãe e brincar de escorregar no sabão com meus filhos. Eu ainda sou a Jessica, que tem TPM, que faz dieta, que esquece das coisas importantes, que deixa o quarto bagunçado, que precisa de férias, que às vezes quer se esconder embaixo da cama e esperar o escuro ir embora.

Eu ainda sou eu mesma e não há nada de ilustre, ou célebre, ou extraordinário nisso.
Não espere tanto de mim.


Se Deus é simples, por que eu não deveria ser?

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sobre a amizade dEle...

Quando eu fazia 5ª série, minha mãe foi chamada na escola. Aquela professora chata estava sugerindo que minha mãe não me deixasse mais andar com uma amiga porque eu era muito inteligente e ela, ao contrário, era muito custosa e ia reprovar naquele ano. Segundo a professora, ela era uma má influência pra mim. O único problema é que aquela menina era minha melhor amiga, então eu não me importei com o que pensava aquela professora.

De fato, minha amiga reprovou no final do ano, mas não deixamos de ser amigas por isso. Eu não fiquei mais indisciplinada por causa dela, mas ela começou a estudar bem mais por minha causa.
Me lembro que no restante da minha vida escolar, eu que sempre fui meio nerd, gostava de sentar no fundão com os pestinhas. Eles não me contaminavam ou me faziam menos inteligente, mas eu os ajudava antes das provas.

Hoje, pensando nisso, me perguntei: e se as pessoas vissem Jesus andando comigo no recreio? Se o vissem repartindo o lanche comigo, me contando histórias, enxugando meu choro e me fazendo rir... Certamente pensariam que eu não sou boa companhia pra Ele.



Mas sabe? Jesus não se importaria com isso! Ele é meu melhor amigo. Ele não importa de ser visto andando com os piores, pescadores e pecadores.
Aliás, ele tem certa predileção pelos miseráveis. Não é à toa que Ele me ama tanto.


Eu às vezes me pego pensando nisso, e vejo que não há tanta lógica em ser amiga dEle que é tão bom pra mim, e eu tão infiel. Entretanto, Jesus faz questão de continuar visitando minha casa, andando ao meu lado, me ajudando nas provas. Ele gosta tanto de me receber em sua casa, que até a mãe dele me aceitou por sua filha. Realmente não há logica em nossa amizade, mas quem disse que a amizade precisa de lógica?

Amizade precisa de coração aberto e isso meu MELHOR AMIGO tem de sobra...


(Texto lido no Recital Entre Amigos no VII Acampamento Ser de Deus)

domingo, 21 de setembro de 2014

Eu entrego...

Numa noite de domingo, eu e o Ricardo, meu amigo e cantor predileto, íamos sair pra lanchar e resolvemos passar na capela antes...
Depois de rezar um pouco, eu o chamei pra irmos embora, mas ele pediu:
-Vamos ficar só mais um pouquinho?

Eu assenti com um sorriso e fiquei ali contemplando o sacrário.
Até que, de repente, o Ricardo começou a cantar aquele refrão:

"Eu entrego, eu entrego, tudo que trago em mim pois só confio em Ti."

Fiquei emocionada e perguntei que música linda era aquela. Ele não respondeu e cantou novamente.
Depois que descobri que ele estava compondo, eu disse: Grava no celular pra você não esquecer desse refrão, pra você terminar de compor.

Aí ele disse: Eu não sou bom com estrofes. rs

Eu sabia que ali nasceria nossa primeira parceria.
Saímos pra lanchar e no dia seguinte, acordei com a música na cabeça.
E no outro dia também.
E no outro...

Pensei que não deveria ser à toa... então na quarta-feira, sentei, rezei, e comecei a escrever aquela estrofe:
"Senhor, eu quero apresentar a Ti os fragmentos da minha vida, te ofertar os meus dons..."

Liguei pro Ricardo, fomos pro Subway novamente (rs), e quando voltamos mostrei pra ele.
Aí ele achou que essa música merecia uma outra parte.
Ficamos até às 02h da manhã do dia 24 de maio de 2013 escrevendo essa música.


Desde aquele dia, em todos os encontros, retiros, orações, adorações que cantamos, eu tive certeza de que tínhamos sido usados por Deus. Que essa música era dEle.

E depois de muitos pedidos, pudemos finalmente gravar, desse jeito simples, pra que as pessoas pudessem rezar conosco e fazer essa mesma experiência: entregar Tudo a Ele.




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Onde está meu amor?

Estou naquela fase da vida em que todas as pessoas do mundo esperam que eu tenha um namorado. As pessoas na igreja, meus amigos, minha família, até as crianças da escola querem me apresentar um primo ou conhecido pra eu me casar logo. rs

E eu tenho um agravante: na minha casa, meus pais são casados, minha irmã está noiva e a outra num namoro duradouro. Agora as pessoas querem saber: por que cargas d’água eu estou solteira?

Primeiramente, eu gostaria de dizer que o fato de estar solteira não me faz uma deprimida em casa tomando sorvete e assistindo maratonas de seriado (essa última parte sim, rs). Eu estou solteira, mas estou cercada por tantos amigos, tantas pessoas que me querem bem que, de fato, não me sinto sozinha. Convém dizer que em certos momentos a gente sente falta mesmo de ter alguém (tipo na super-lua-cheia dessa semana que deixa a noite ridiculamente romântica), mas há outros momentos bem divertidos.

A segunda coisa é que eu quero um namorado. Claro. Desde que entendi meu chamado ao matrimônio que, naturalmente, espero encontrar alguém que possa edificar essa vocação junto comigo.

Aí entra um ponto bem importante: eu não quero beijo na boca, cinema, jantar e mensagens românticas. Eu quero tudo isso, obviamente, mas não só isso. Eu quero alguém que possa fazer parte da minha família, que me acompanhe em minhas missões (ou pelo menos parte delas), que reze comigo, que me corrija e que não tenha o centro do universo no próprio umbigo. Alguém que esteja disponível (e disposto) a enxergar minhas misérias e me ajudar a ser melhor.

Aqui vai o conselho pra todos os solteiros de plantão: o fato de eu estar carente ou à procura de alguém não pode me fazer desesperado a ponto de aceitar qualquer coisa ou qualquer pessoa:

- Às vezes, aquela pessoa é maravilhosa, MAS, não é compatível comigo.
- Aquele cara é super-fiel, então pode ser ele: entendam que isso não é uma virtude por si só, mas o mínimo que ele precisa ser. Fidelidade é obrigação.
- Aquele cara se parece em tudo comigo, é quase um espelho meu, mas talvez não seja a pessoa, porque no cotidiano eu não vou aguentar alguém que seja igual a mim, inclusive nos defeitos.

Eu decidi escrever sobre isso porque se alguém casado e bem-resolvido fala sobre o assunto, a nossa reação é responder: “Ah, pra você é fácil; você já encontrou o grande amor da sua vida.”. E como eu ainda estou no processo, à espera ou à procura, talvez eu tenha propriedade pra falar. rs

Então, minhas considerações finais...

Não existe ninguém perfeito, nem a pessoa certa pra você. Existe alguém capaz de te fazer apaixonar e disposto a ir pro céu junto contigo. (E ir pro céu normalmente é caminhar pelo calvário).


Não se desespere pra encontrar alguém, mas se ocupe em ser melhor pra si e para os outros. Quando aquela pessoa chegar, você já vai estar completo de Deus e não vai precisar do outro pra ser feliz, mas vai se ocupar em fazê-lo feliz! E o melhor, gratuitamente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Rara calma...

Vou te cantar meu sentir...
Talvez eu hoje chore como nunca, mas sei que não estou só.




Música: Rara Calma
Composição: Rogério Feltrin

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pela liberdade de religião.

Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;
este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
(Declaração Universal dos Direitos Humanos)


Desde já, gostaria de manifestar que minha intenção em escrever sobre isso é unicamente a de convidar você a pensar sobre o assunto. Não sou teórica, nem tenho muitos fundamentos, mas tenho minha vida e o que observo.

O ser humano é por natureza, "homo religiosus". Religio vem de relegere (religar com o transcendente ou reler-se a si mesmo). Até os que se dizem ateus ou agnósticos, de algum modo, são portadores dessa espiritualidade e habilidade de se unir a uma divindade superior ou abraçar uma causa altruísta, ética e tentar ser melhor.

Partindo desse ponto, a intenção da religião, de um modo geral, não é a de dividir, separar, excluir, mas a de agregar, conduzir, converter para o bem. Nós é que somos egoístas e egocêntricos, incapazes de conviver com as diferenças dos outros; incapazes de enxergar nossas próprias misérias e lidar com nossa própria falta de moral; nós é que repelimos o que é diferente do que acreditamos e taxamos como "errado" qualquer coisa que fuja da nossa lógica e verdade.

Digo isso porque pessoas são perseguidas dia-após-dia por professarem sua fé, seu credo. Quando não é uma perseguição direta e declarada (como os milhares de católicos sendo mortos no Iraque), vemos a repulsa mascarada que manifesta a mesma incapacidade com o acolhimento da diferença.

Tenho visto pessoas deixando de ser fiéis a Deus porque ouviram que os pastores são todos ladrões ou que os padres são pedófilos: Mudem a fita! Essa generalização já encheu. 

Tenho observado pessoas defendendo o aborto e legalização da maconha, por exemplo, e tratando isso como se fossem questões unicamente religiosas, mas não. Esses assuntos são de cunho moral, ético, biológico. Parecem religiosos porque os cristãos se manifestam mais ativamente contra o que fere e vai de encontro à dignidade humana. 

Tenho assistido ateus muito mais ocupados em atacar os crentes (os que creem), tentando provar a inexistência de Deus, do que seguindo suas próprias vidas. 

Tenho acompanhado pessoas batendo na minha porta pra tentarem me "converter", como se conversão fosse mudar de igreja. Façam a gentileza de pregar o Evangelho a quem necessita ouvir. Se forem lá em casa, levem a Palavra de Deus pra me confortar e mostrar unidade, sem pra isso tentar me forçar a ir pra sua igreja. 

Tenho percebido que muitos de nós, cristãos, agimos como se todos os que não acreditassem fossem direto pro inferno.
Cristãos, vivam sua fé. Testemunhem a graça de Deus. Vivam a misericórdia. Sem a caridade, de nada vale nossa fé.
(I Cor 13 - que todo mundo sabe de cor, mas ninguém parece entender).

Quer que alguém experimente algo que você ama? Então fale sobre isso com alegria e dê testemunho para que o outro deseje também sentir isso. Não empurre goela abaixo a sua verdade porque isso gera mais repulsa ainda.

Vamos nos respeitar? Nos amar mais?






"Como irei compreender?
Se minha vida passa longe da verdade que eu ouvi
E os meus passos já não tocam os caminhos que aprendi


Meu argumento me empobrece e me faz pensar assim
Que estou tão certo, e é perfeito o meu jeito de servir


Digo que amo minha igreja e o chamado que atendi
Mas já não ouço os conselhos e a Palavra que há em mim


Sonho que um dia a boa nova se espalhe até os confins
Mas sem Santidade
Sem fidelidade
Toda obra ruma ao fim"







terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sobre a saudade antecipada...

Minha irmã está casando.

Eu sei que parece algo absolutamente natural, e é particularmente uma grande bênção pra nossa vida, mas há alguns dias isso tem mexido demais comigo.

Não é medo nem tristeza, afinal, eu tenho certeza que ela encontrou o amor da vida dela e que ela vai ser imensamente feliz ao lado dele. Que aquela historinha clichê de "não estou perdendo uma irmã, mas ganhando um irmão" faz muito sentido pra nós e já vem acontecendo há alguns anos.

Mas de repente me bate um desespero: sabe aquela menininha implicante com quem dividimos todas as nossas memórias, que acorda todos os dias antes de todo mundo e faz o café, que tá sempre reclamando de alguma dor, e que faz uma lista de atividades em pleno sábado pra não deixar de fazer nada do que programou? Então... daqui a alguns meses não vai mais fazer parte da rotina da nossa família, não nos veremos diariamente e tudo vai ser um pouco diferente.

A nossa menina tá crescendo.

Tenho certeza absoluta de que nossa amizade só vai se fortalecer. Que os pequenos momentos vão compensar a falta, que as gargalhadas terão mais valor, que ela está abrindo um caminho natural e que, muito em breve, será nossa vez de deixarmos os coroas e nos unirmos a quem edificará nossa vocação.


Eu poderia me delongar por parágrafos enormes falando do misto de sensações que isso me causa.
Mas eu só queria desabafar.


Acho que estou com saudades antecipadas...



PS: A música é só pra aumentar a tortura, triplicar a nostalgia e justificar as lágrimas insistentes.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Além da dor...

Só quem já usou aparelho ortodôntico sabe o que estou passando...

O aparelho não incomoda em toda a parte do tempo. É chato porque acumula sujeira e, de repente, você está falando sobre algo super interessante, mas a pessoa está olhando pro pedaço de alface grudado no seu dente. Tirando isso, na maior parte do tempo a gente nem se lembra que usa aparelho.
Mas tem dias em que, logo depois de dar manutenção e apertar o aparelho, fica impossível esquecer da ferradura. Respirar dói, conversar dói, comer é quase impossível, e bater um dente no outro é quase uma dor na alma. Tipo eu agora.
É claro que não resolvi escrever pra desabafar sobre algo tão trivial como uma dor de dente (embora agora ela pareça o mal do século).


É que hoje eu vinha pro trabalho falando com O Deus e concluí que usar aparelho é como ser cristão e carregar sua cruz.



Tem dias que parece algo tão natural que a gente nem se lembra (é que a gente está meio acostumado ao sofrer). Em outros dias parece tão difícil, tão pesado, que a nossa maior vontade é de arrancar fora o que nos causa dor e viver de modo mais fácil...
A parte boa é que logo mais, quando eu menos esperar, a dor vai embora e me chega o alívio e o consolo de que vai valer a pena, vai valer o esforço.

Se você está sofrendo agora, uma dor física ou uma dor na alma, se está carregando um fardo que parece pesado demais, se a vontade de desistir parece maior que tudo...

Espera! Confia!

Daqui a pouco, a dor vai embora, e no fim você vai receber a recompensa.

"Há uma luz em mim que me faz persistir
Olhar além da dor
Acreditar..."




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vejo...

Enxergo o céu cor-de-rosa no início do dia
Vejo a alegria brincando sorrateira pelos cantos
Ora quieta e solitária
Ora fazendo estripulias acompanhada de outrem

No fim da tarde vejo o sol se esconder no céu alaranjado
E já sinto o frescor que chega com a noite
As luzes se acendem
A alma diminui o ritmo 
O corpo pede o ócio
O coração reclama a ausência

Desde a primeira hora até o fechar dos olhos
Vejo felicidade dentro
Vejo Deus ao lado
Vejo poesia aqui.



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Presença!

Hoje recebi a ligação daquele grande amigo.
Aquele que tem a vida mais corrida do que a minha, mas ainda assim se deu o trabalho de me ligar pra saber como estou. Isso porque já havia tentado me ligar outras duas vezes na semana passada, e eu não tinha conseguido atender.
Nos falamos por uns 20 minutos, atualizamos todos os fatos, contei todas as minhas bobagens, ele riu de tudo que falei e marcamos de nos encontrar qualquer dia.

Se depender da correria do meu cotidiano, ou da rotina maluca em que ele vive, é bem mais provável que a gente se esbarre em algum lugar do que consigamos honrar com nossa tentativa de encontro.

Mas o que acho melhor disso é que não importa se vamos nos encontrar nas próximas semanas ou não.
O que importa é que quando a gente se ver, vai ser tudo como antes.
Importa que ele saiba que eu estou aqui pra ele e ele está ali pra mim.

A vida que hoje eu levo não me permite ter muito tempo pra visitar meus amigos e passar horas jogando conversa fora, mas tenho desejado ao máximo ter tempo de qualidade com os meus.

Pode ser um Bom dia, 5 minutos de conversa, um abraço apertado ou qualquer demonstração de afeto.
Importa que os pequenos gestos sejam demonstrações reais do grande afeto.


"Mas cada volta tua há de apagar o que essa ausência tua me causou..."



sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre o direito de ser eu mesma.

Há algum tempo tenho entrado dentro de um processo de auto-conhecimento.
Claro que não é um processo concreto, ou prático, ou fácil, mas é extremamente importante pro meu crescimento e conversão. Deixando de lado as divagações, acho curioso como, dia-após-dia, vamos descobrindo coisas legais e ruins sobre a gente, coisas nas quais nunca tínhamos pensado antes.

Semana passada, tava numa maré baixa, de TPM e numa sensibilidade tipo ISO 3200 (fotógrafos entenderão, rs). Fui descobrindo que sou exatamente como as pessoas que mais critico, aquelas com que tenho maior dificuldade de convivência. E por estar numa semana completamente instável (mulheres de TPM entenderão, rs), eu não estava cabendo dentro de mim mesma. Queria fugir do meu próprio corpo, da minha casa, da minha capa. Queria gritar pra todo mundo que não sou tudo o que pensam de mim. Queria dormir e acordar daqui a 5 anos (em outro planeta, de preferência).

A tensão foi embora (para a felicidade geral da nação) e eu continuei nos mesmos movimentos internos, mas dessa vez, com um olhar bem mais amoroso sobre mim mesma. Me achando parecida com Ele, encontrando dignidade no que faço, valorizando o que me tornei, percebendo que, embora seja uma árvore pequena e frágil, eu posso dar bons frutos se for bem regada.

Aí ontem, num restaurante com alguns amigos, eu, que sou tão meiga e discreta quanto um rinoceronte numa loja de cristais, comecei a derrubar coisas, me sujar, falar com a garçonete como se fosse minha amiga íntima e outras coisas absolutamente comuns pra mim. Então a Jenni (minha irmã gêmea) soltou essa pérola:

- Lá vem a Jessica fazendo "Jesquices"!

Eu morri de rir. Achei genial meu nome gerar outro substantivo. E afinal, o que são Jesquices?

Dar gargalhadas altas, sujar a roupa, imitar criança, perder objetos importantes, se tornar amiga de infância de quem acabou de conhecer, amar intensamente, perdoar facilmente, deixar tudo pra última hora, se apaixonar e depois se desapaixonar em poucas horas, e outra infinidade de coisas.



Cheguei à conclusão de que, mais do que me conhecer (e achar graça disso), preciso me fazer uma grande gentileza:
Me dar o direito de ser quem eu sou!

Fazer aquelas coisas (que são típicas de Jessica) e não me importar se estou de acordo com as expectativas alheias.

Quero melhorar: por mim, com Deus e para os outros.
Mas também quero ser eu!

Afinal, eu não sou o que pareço ser ou o que as pessoas querem que eu seja...


"Eu sou aquilo que Deus pensa de mim!" (Santa Teresinha)


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Inspire-se!

Hoje uma pessoa disse:
"Uma delícia seguir seu blog. Que não te falte inspiração."

Aí eu me lembrei que, por muitas vezes, quando o mundo estava caindo à minha volta, bastou que eu inspirasse profundamente pra que os problemas amenizassem (ou ao menos a angústia).
E nesses momentos, bastou que algo ME inspirasse pra enxergar tudo de um jeito novo.

Então eu tomei o conselho daquela pessoa como receita pros meus males cotidianos:
- que, no início de cada dia, eu inspire profundamente, enchendo meus pulmões de ar;
- e que, no início de cada dia, eu também me inspire profundamente, enchendo minha alma de vida!



"Nossa peça era a peça que faltava
Cê me inspira pra eu te respirar
Em poesia que não acaba"
(O Teatro Mágico)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os sinais de Deus.

Hoje tive a graça de visitar uma casa de apoio a doentes com câncer.
Eu já imaginava que sairia de lá com o coração sensibilizado com as histórias que ouviríamos, mas Deus resolveu falar comigo de outro jeito.
Estávamos na capela para algumas orientações, quando um jovem de 13 anos saiu da sala chorando.
Fui até ele e questionei o motivo da emoção, e ele então descarregou em mim toda tristeza, quase revolta, com a "injustiça de Deus".
Não era uma rebeldia injustificada.
Ele argumentou comigo que crianças não deveriam ter câncer, elas não faziam nada para merecer aquilo. Que os mais velhos já tinham vivido suas vidas, mas que os pequenos ainda não tinham feito nada, sendo assim, por que ele deveria acreditar nesse Deus "que quase não dá sinais" e permite o sofrimento das pessoas?

Eu o respondi com um sorriso que nenhuma resposta seria suficiente para saciar seus questionamentos.
Mas lhe falei do cuidado de Deus, do livre arbítrio, expliquei que todos estávamos suscetíveis à doença e outros males.
Claro que fiquei balançada, porque certas coisas fogem da nossa lógica e razão.

Poucos minutos depois, enquanto todos os adolescentes devoravam a mesa de lanches, esse menino foi no pátio e buscou duas crianças e sua mãe (todos portadores de câncer) e os levou pro refeitório. Pegou refrigerante e encheu um prato pra eles. Depois, no momento dos depoimentos, ele correu pra buscar água e entregar pr'aqueles que estavam contando suas vidas e se emocionaram.

Quando tive oportunidade, o chamei e disse:
- Você disse que Deus quase não dá sinais, não é mesmo? Ele talvez não fale em voz alta ou faça coisas extraordinárias o tempo inteiro, mas hoje, Deus deu sinais da Sua presença através de você.

Ele retrucou:
- Não. Isso é educação.

Eu respondi:

- Meu bem, você foi quem mais questionou Deus, mas hoje, você foi mais cristão do que todos nós.
Você entendeu a proposta dEle...


"Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mateus 25,40)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O início...

Não sou uma escritora. 
Também não sou metódica ou disciplinada o suficiente pra escrever todos os dias. Fiz diários em diferentes momentos da minha vida, mas em menos de um mês eu desistia, esquecia ou deixava pra lá.

Eu gosto de escrever, gosto de manifestar o que penso, devanear sobre assuntos sem muita relevância ou simplesmente poetizar. E tenho muitos amigos que gostam de ler o que escrevo.
Então para felicidade de todos (ou para a minha somente, tanto faz), criei esse blog.

A verdade é que, embora queira parecer diferente ou especial, sou assim: um clichê ambulante.
Então, caro leitor, não tenha grandes expectativas sobre meus rabiscos. Não são primores literários, mas são as verdades dessa pequena alma artista.

PS: "Vou te cantar" tem mais a ver com a melodia de minhas palavras, do que com cantadas e indiretas amorosas. Tampouco prometo que não farei isso por aqui...