terça-feira, 17 de março de 2015

Algo um pouco mais complexo...

Tenho vários amigos gays e os amo profundamente.

Começo assim esse texto para que você entenda que não se trata de uma crítica homofóbica, mas somente da minha opinião expressada. Se você é melindroso e se ofende facilmente, ou se não interessa pela opinião do outro, não precisa ler até o fim. Obrigada. De nada. rs

Quem acompanha meus rabiscos aqui no blog sabe que não sou muito de textos polêmicos, nem pretendo discutir futebol, política ou qualquer assunto que cause estranheza entre os leitores. E não é porque não acho que esses assuntos não devam ser discutidos, nem porque eu tenho medo de desagradar alguns. Eu gosto de escrever sobre o que vivo, sobre o que sinto.

Dito isso, quero voltar ao ponto inicial: eu não tenho medo ou nojo de homossexuais. Não os discrimino pela opção que fizeram. Nem julgo o caráter ou a boa índole de alguém por sua sexualidade.

Entretanto, não é por não ser homofóbica que devo engolir a qualquer custo a tentativa de alguns em naturalizar a homossexualidade.

"Ah.. mas isso é tão comum hoje em dia."

Comum não é sinônimo de natural. Não é porque algumas pessoas estão "saindo do armário" e assumindo suas escolhas que de repente isso virou parte da natureza.

Ser gay é comum? Hoje em dia, muito!
É normal? Sim. Não considero uma anomalia.
É natural? Não, nunca foi e nunca será.

Não pretendo entrar na questão "escolha x genética x cultura" porque é bem mais complexo do que parece. Estou falando sobre a exposição exagerada do assunto e a forçada imposição dos simpatizantes.

Dois pontos gostaria de ressaltar:

1) Quer que a sociedade aceite os homossexuais? Não é com parada gay, beijaço, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na novela das 9, Jean Wyllys como deputado federal, que as pessoas vão conseguir mudar uma concepção milenar. Até dois héteros se beijando publicamente podem causar constrangimento, quanto mais dois homossexuais. Intimidades devem ser particulares. 

2) Você pode ser homossexual sem ser vulgar ou promíscuo.
Um homem pode gostar de outro homem e ser sensível, mas não precisa parecer uma perua fresca e andar como uma gazela saltitante. Isso até ofende as mulheres.
Uma mulher pode gostar de outra mulher e dispensar as delicadezas, mas não precisa arrotar alto, coçar as partes baixas e andar como maloqueiro. Isso ofende os homens. 


Meus amigos homossexuais, assumidos e bem resolvidos, nunca precisaram me forçar a aceitá-los, mas me mostraram ser mais do que sua opção sexual: tocam violão, gostam de pescar, tem 3 faculdades, acreditam em Deus, são amorosos, cuidam da família... são gente! Não só uma insatisfação ambulante pedindo por aceitação.


P.S.: Que fique bem claro, que talvez você não concorde ou aceite a homossexualidade de nenhum modo. Isso não te dá o direito de ser agressivo ou ofensivo com ninguém. Respeito cabe em qualquer lugar e é dever de todos.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sobre as rosquinhas de leite condensado...

Eu tinha 12 anos quando ela foi morar junto do papai do céu.
Eu já era grandinha pra entender sobre a morte. Sabia que ela não voltaria e que eu só a veria quando eu morresse também, mas mesmo assim eu não quis chorar. Consolei minha mãe, irmãs, tias e até cantei no velório dela. Na hora do sepultamento, não quis ficar ali perto, então fui caminhar pelo cemitério acompanhada do meu tio preferido, olhando as fotos das lápides e fazendo cálculos pra ver quantos anos aquelas pessoas tinham vivido. rs

Alguns meses depois, estava no meu quarto quando me veio a lembrança de uma música:

"Não sei porque você se foi
quantas saudades eu senti
e de tristeza vou viver
aquele adeus não pude dar..."

Me lembrei da minha Vó Maria. E então o choro veio.
Todo mundo já tinha vivido o luto de sua perda, mas eu não.
Eu tinha engolido o choro alguns meses antes, mas naquela hora, ele voltou à garganta.

Chorei, chorei e chorei.
Cantei pra ela e comecei a reviver todas as minhas memórias numa tentativa absoluta de guardar cada detalhe pra sempre.

Me lembrei da sua pele cheia de sardas, suas unhas de esmalte, seu cabelo meio branco, meio tingido.
E embora eu seja alérgica, eu pude sentir saudade do cheiro de cigarro misturado ao seu perfume francês. Aquela voz rouca e aquela tosse insistente na madrugada, parecia canção aos meus ouvidos naquele instante.
Me lembrei de suas ligações, das reclamações constantes, mas de como ela dizia que me amava.

E claro, me lembrei da rosquinha de leite condensado.
Minha vó fazia uma rosquinha, aparentemente normal, mas que nenhum chef de cozinha poderia imitar:
ela deixava meio crua de propósito e mergulhava numa tupperware branca cheia de leite condensado.


Recordei-me de uma vez que chegamos na chácara pra visitá-la, e como sempre meu pai buzinava no golzinho amarelo desde a porteira até a porta da casa. E lá vinha Dona Maria com os olhos cheios d'água de saudade. Corremos até ela e perguntamos:

-Vó, tem rosquinha?
- Ah. Num vai pedir bença, não? Só veio por causa da rosquinha? A vó não fez dessa vez.

E com cara de decepcionadas, eu e minhas irmãs pedimos bença e entramos.
E lá dentro estava a surpresa... ela tinha feito a rosquinha.
E como sempre a geladeira estava recheada: lata de marrom glacê, bandeja de uva passa e geleia de mocotó.

...

Ainda guardo essas lembranças, e me apego a elas com uma saudade sufocante.
Que vontade eu tenho de abraçar Dona Maria, de ouvir sua voz, sentir seu cheiro e beijar sua pele enrugada.

Se estivesse viva, hoje levaríamos um bolinho pra cantar parabéns pra ela.
Provavelmente, eu faria uma piada com as velinhas dos seu sessenta e nove anos e diria que ela já estava com noventa e seis. Ela daria uma risada rouca e me mandaria comer logo.


Vó Maria, hoje gostaria que soubesse que estou feliz! Que ainda estou cantando na Igreja, que ainda faço piadas e ainda sou aquela menina sapeca. Que estou tentando viver uma vida santa pra garantir a vida eterna.

E não esquece, Dona Mariinha: quando eu chegar no céu, já vou perguntar pra Nossa Senhora se tem rosquinha de leite condensado, e estou certa de que ali vou te encontrar novamente.

domingo, 8 de março de 2015

SÓ PARA MULHERES...

Foi agorinha em plena escada rolante no shopping:

- Moça, seu cabelo é natural? Que lindo!!!

Isso tem sido frequente nos últimos meses, e eu confesso que ainda não me acostumei. As pessoas me param no trabalho, na rua, na igreja e me perguntam que produto uso pra finalizar os cachos, qual a cor da minha tinta, e o que eu fiz pra ele ficar bonito assim de repente. rs

Meu cabelo é naturalmente cacheado... o problema é que eu não sabia como cuidar dele.


Engraçado que hoje também tive a felicidade de ouvir de duas pessoas muito queridas que eu tenho estado mais bonita e feminina a cada dia. A amiga disse que só pode ser reflexo da minha alma que está feliz. O amigo disse que a feminilidade sempre foi característica minha, mas que agora eu estou exalando isso...

Bem, como sabem, esse não é um blog de moda e eu não sei falar sobre estética, então, não farei um vídeo tutorial mostrando como finalizar o cabelo. hahaha
E embora tudo isso pareça meio fútil ou mesmo clichê, eu precisava escrever sobre isso.

Acabei concluindo que, talvez como meu cabelo que sempre foi bonito, mas levei um bom tempo pra aprender os cuidados necessários, minha alma também precisava ser cuidada... e isso fez toda diferença. Quando eu aprendi a me amar, e deixei que alguém me amasse também, ficou impossível esconder o brilho dos olhos.

Eu aproveito esse dia 08 de março, Dia da Mulher, pra dizer que não importa se seu cabelo é liso e não para nem um grampo, ou crespo e armado como uma juba de leão; não interessa se você come o dia inteiro e não engorda um grama, ou se você só olha pra comida e já ganha um quilo extra; não importa sua TPM, suas inconstâncias, sua fragilidade...

O que realmente é importante é que você é linda, independente do que pensem!


PS: Quer ficar mais bonita? Se ame e se deixe amar por alguém que saiba o seu valor!


Feliz Dia da Mulher!!