quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pela liberdade de religião.

Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;
este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
(Declaração Universal dos Direitos Humanos)


Desde já, gostaria de manifestar que minha intenção em escrever sobre isso é unicamente a de convidar você a pensar sobre o assunto. Não sou teórica, nem tenho muitos fundamentos, mas tenho minha vida e o que observo.

O ser humano é por natureza, "homo religiosus". Religio vem de relegere (religar com o transcendente ou reler-se a si mesmo). Até os que se dizem ateus ou agnósticos, de algum modo, são portadores dessa espiritualidade e habilidade de se unir a uma divindade superior ou abraçar uma causa altruísta, ética e tentar ser melhor.

Partindo desse ponto, a intenção da religião, de um modo geral, não é a de dividir, separar, excluir, mas a de agregar, conduzir, converter para o bem. Nós é que somos egoístas e egocêntricos, incapazes de conviver com as diferenças dos outros; incapazes de enxergar nossas próprias misérias e lidar com nossa própria falta de moral; nós é que repelimos o que é diferente do que acreditamos e taxamos como "errado" qualquer coisa que fuja da nossa lógica e verdade.

Digo isso porque pessoas são perseguidas dia-após-dia por professarem sua fé, seu credo. Quando não é uma perseguição direta e declarada (como os milhares de católicos sendo mortos no Iraque), vemos a repulsa mascarada que manifesta a mesma incapacidade com o acolhimento da diferença.

Tenho visto pessoas deixando de ser fiéis a Deus porque ouviram que os pastores são todos ladrões ou que os padres são pedófilos: Mudem a fita! Essa generalização já encheu. 

Tenho observado pessoas defendendo o aborto e legalização da maconha, por exemplo, e tratando isso como se fossem questões unicamente religiosas, mas não. Esses assuntos são de cunho moral, ético, biológico. Parecem religiosos porque os cristãos se manifestam mais ativamente contra o que fere e vai de encontro à dignidade humana. 

Tenho assistido ateus muito mais ocupados em atacar os crentes (os que creem), tentando provar a inexistência de Deus, do que seguindo suas próprias vidas. 

Tenho acompanhado pessoas batendo na minha porta pra tentarem me "converter", como se conversão fosse mudar de igreja. Façam a gentileza de pregar o Evangelho a quem necessita ouvir. Se forem lá em casa, levem a Palavra de Deus pra me confortar e mostrar unidade, sem pra isso tentar me forçar a ir pra sua igreja. 

Tenho percebido que muitos de nós, cristãos, agimos como se todos os que não acreditassem fossem direto pro inferno.
Cristãos, vivam sua fé. Testemunhem a graça de Deus. Vivam a misericórdia. Sem a caridade, de nada vale nossa fé.
(I Cor 13 - que todo mundo sabe de cor, mas ninguém parece entender).

Quer que alguém experimente algo que você ama? Então fale sobre isso com alegria e dê testemunho para que o outro deseje também sentir isso. Não empurre goela abaixo a sua verdade porque isso gera mais repulsa ainda.

Vamos nos respeitar? Nos amar mais?






"Como irei compreender?
Se minha vida passa longe da verdade que eu ouvi
E os meus passos já não tocam os caminhos que aprendi


Meu argumento me empobrece e me faz pensar assim
Que estou tão certo, e é perfeito o meu jeito de servir


Digo que amo minha igreja e o chamado que atendi
Mas já não ouço os conselhos e a Palavra que há em mim


Sonho que um dia a boa nova se espalhe até os confins
Mas sem Santidade
Sem fidelidade
Toda obra ruma ao fim"







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