Claro que não é um processo concreto, ou prático, ou fácil, mas é extremamente importante pro meu crescimento e conversão. Deixando de lado as divagações, acho curioso como, dia-após-dia, vamos descobrindo coisas legais e ruins sobre a gente, coisas nas quais nunca tínhamos pensado antes.
Semana passada, tava numa maré baixa, de TPM e numa sensibilidade tipo ISO 3200 (fotógrafos entenderão, rs). Fui descobrindo que sou exatamente como as pessoas que mais critico, aquelas com que tenho maior dificuldade de convivência. E por estar numa semana completamente instável (mulheres de TPM entenderão, rs), eu não estava cabendo dentro de mim mesma. Queria fugir do meu próprio corpo, da minha casa, da minha capa. Queria gritar pra todo mundo que não sou tudo o que pensam de mim. Queria dormir e acordar daqui a 5 anos (em outro planeta, de preferência).
A tensão foi embora (para a felicidade geral da nação) e eu continuei nos mesmos movimentos internos, mas dessa vez, com um olhar bem mais amoroso sobre mim mesma. Me achando parecida com Ele, encontrando dignidade no que faço, valorizando o que me tornei, percebendo que, embora seja uma árvore pequena e frágil, eu posso dar bons frutos se for bem regada.
Aí ontem, num restaurante com alguns amigos, eu, que sou tão meiga e discreta quanto um rinoceronte numa loja de cristais, comecei a derrubar coisas, me sujar, falar com a garçonete como se fosse minha amiga íntima e outras coisas absolutamente comuns pra mim. Então a Jenni (minha irmã gêmea) soltou essa pérola:
- Lá vem a Jessica fazendo "Jesquices"!
Eu morri de rir. Achei genial meu nome gerar outro substantivo. E afinal, o que são Jesquices?
Dar gargalhadas altas, sujar a roupa, imitar criança, perder objetos importantes, se tornar amiga de infância de quem acabou de conhecer, amar intensamente, perdoar facilmente, deixar tudo pra última hora, se apaixonar e depois se desapaixonar em poucas horas, e outra infinidade de coisas.
Cheguei à conclusão de que, mais do que me conhecer (e achar graça disso), preciso me fazer uma grande gentileza:
Me dar o direito de ser quem eu sou!
Fazer aquelas coisas (que são típicas de Jessica) e não me importar se estou de acordo com as expectativas alheias.
Quero melhorar: por mim, com Deus e para os outros.
Mas também quero ser eu!
Afinal, eu não sou o que pareço ser ou o que as pessoas querem que eu seja...
"Eu sou aquilo que Deus pensa de mim!" (Santa Teresinha)

O que você é solo sagrado! Sou extensão da sua área...
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