quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Descanso da alma...

Essa é a época do ano que mais trabalho, sabe?
Acordo cedo, trabalho o dia inteiro, chego em casa exausta (física e mentalmente), e à noite só quero minha cama.
Me lembro que no ano passado eu até dei graças a Deus por estar solteira só pra não precisar dar atenção pra ninguém. rs

Mas nesse ano tive uma feliz surpresa: era uma segunda-feira daquelas. Estava cuidando de mil coisas ao mesmo tempo quando meu namorado chegou aqui na empresa. Mesmo que eu não pudesse lhe dar atenção ele quis me esperar. Ele me viu resmungar, reclamar, e ficou ali, ora em silêncio, ora me fazendo sorrir. Depois me levou embora, me abraçou e entendeu o meu cansaço.

Então eu contei a ele que antes eu preferia não estar namorando só pra não ser obrigada a cuidar de ninguém naquele momento. Ele me sorriu e disse que nesse instante ele é quem deveria cuidar de mim.

Esse texto não é pra contar as vantagens de ter um namorado maravilhoso (embora seja esse o caso), mas pra falar dessas pessoas que descansam nossa alma.

Eu tenho visto cada vez mais as pessoas com aquela necessidade extrema de competir problemas. Se você reclama de algo, o outro já diz: "Nossa, nem me fale.". E lá vem reclamações.

As pessoas andam por aí exibindo o tamanho de suas cruzes, implorando um pouco de pena (já não bastasse a auto-piedade enraizada em suas consciências). Já não vemos tantos Cirineus, capazes de deixar de lado por um instante suas misérias pra acolher a dor e o cansaço do outro.


Não me entenda mal. Não estou sugerindo que você coloque um sorriso no rosto e finja não ter problemas... Mas se sua cruz está pesada, pare de lamentar, reclamar e jogar nas pessoas todas as suas angústias... e peça ajuda.
Carregue também um pouco da cruz do outro.

Quando você chega, as pessoas sentem o alívio do encontro ou o incômodo da presença?




"A minha vontade é de ser pra você feito sombra e descanso sem fim." (Padre Fábio de Melo)



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A menina e o menino...

"Então.

A menina amante das palavras, apaixonada pelo Verbo, de repente fica muda diante dos mil pensamentos que reviram sua mente e da ausência de vocabulário adequado pra expressar o que sente.
Essa menina gostou de muitos meninos. Por eles, mas também por ela, sabe?

Ela gostava do simples gostar. Algumas vezes ela ficava em dúvida se estava apaixonada por algum daqueles meninos ou por ela mesma. Quando parecia apaixonada, ela acordava mais feliz, se arrumava de um jeito diferente, fazia surpresas, escrevia poemas, cantava canções de amor... mas nem tinha certeza dos motivos pelos quais se apaixonara. Às vezes sentia que era uma mistura de amor-próprio com um leve gostar do outro.

Isso foi se intensificando de um modo que esse amor-próprio se tornou orgulho ou vaidade. Ela já não se ocupava em ser melhor pro outro, às vezes queria conquistá-lo apenas por si mesma. Como um troféu. Como um atestado de competência na área da conquista. Parecia grande coisa, mas não era.

Um dia ela se sentiu tão boa, tão inchada de orgulho, tão capaz de ter qualquer um que ela finalmente percebeu que não queria ter qualquer um, não queria ter todos, nem queria ter só a si mesma.

Entendeu que ela precisava mesmo era olhar pra alguém, encontrar sentido no outro. Perceber as qualidades daquela pessoa e se apaixonar por elas como se completassem a razão da sua alegria. Descobrir os defeitos também, mas aprender a suportá-los porque as luzes acesas chamam mais atenção do que as que estão queimadas.

Descobriu, assim do nada, que precisava se apaixonar de novo, mas dessa vez com aquela alma de criança, sabe? De quando se gosta de alguém na escola e consegue achá-lo lindo mesmo que ele volte suado do recreio e nem perceba o seu gostar. Gostar sem motivos aparentes. Simplesmente por gostar.

E ela descobriu isso, justamente, quando aquele menino apareceu reclamando do coração vazio. Ela ficou meio receosa, mas a cada instante parecia que ela tinha a forma exata do vazio daquele coração. Parecia que ninguém se encaixaria naquele espaço senão ela e o amor que poderia dar..." (12/11/2014)

Sabe como essa história continua?
"Aquele menino olhou pra menina e convidou-a pra entrar no espaço daquele coração. Aquele espaço estava meio bagunçado, e tinha poeira pelos cantos... já havia algum tempo que não entrava ninguém ali.
Mesmo assim, ela gostou daquele lugar sabe?



Começou uma faxina e quando tudo já estava bem organizado,  resolveu se acomodar por ali e aos poucos levar seus tesouros. Tinha a impressão que era um lugar maravilhoso pra permanecer a vida inteira.

Agora ela vive feliz no espaço daquele coração.
Não sabe por quanto tempo vai ficar, porque o amanhã é incerto...
Mas hoje é um fragmento de uma eternidade.
Então, se depender de hoje, acho que essa menina vai querer viver ali pra sempre..." (02/01/2015)


(Dedicado a Vinícius Soares, o menino que também passou a morar no meu coração e transformou esse espaço num lugar muito melhor)