sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Além da dor...

Só quem já usou aparelho ortodôntico sabe o que estou passando...

O aparelho não incomoda em toda a parte do tempo. É chato porque acumula sujeira e, de repente, você está falando sobre algo super interessante, mas a pessoa está olhando pro pedaço de alface grudado no seu dente. Tirando isso, na maior parte do tempo a gente nem se lembra que usa aparelho.
Mas tem dias em que, logo depois de dar manutenção e apertar o aparelho, fica impossível esquecer da ferradura. Respirar dói, conversar dói, comer é quase impossível, e bater um dente no outro é quase uma dor na alma. Tipo eu agora.
É claro que não resolvi escrever pra desabafar sobre algo tão trivial como uma dor de dente (embora agora ela pareça o mal do século).


É que hoje eu vinha pro trabalho falando com O Deus e concluí que usar aparelho é como ser cristão e carregar sua cruz.



Tem dias que parece algo tão natural que a gente nem se lembra (é que a gente está meio acostumado ao sofrer). Em outros dias parece tão difícil, tão pesado, que a nossa maior vontade é de arrancar fora o que nos causa dor e viver de modo mais fácil...
A parte boa é que logo mais, quando eu menos esperar, a dor vai embora e me chega o alívio e o consolo de que vai valer a pena, vai valer o esforço.

Se você está sofrendo agora, uma dor física ou uma dor na alma, se está carregando um fardo que parece pesado demais, se a vontade de desistir parece maior que tudo...

Espera! Confia!

Daqui a pouco, a dor vai embora, e no fim você vai receber a recompensa.

"Há uma luz em mim que me faz persistir
Olhar além da dor
Acreditar..."




quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Vejo...

Enxergo o céu cor-de-rosa no início do dia
Vejo a alegria brincando sorrateira pelos cantos
Ora quieta e solitária
Ora fazendo estripulias acompanhada de outrem

No fim da tarde vejo o sol se esconder no céu alaranjado
E já sinto o frescor que chega com a noite
As luzes se acendem
A alma diminui o ritmo 
O corpo pede o ócio
O coração reclama a ausência

Desde a primeira hora até o fechar dos olhos
Vejo felicidade dentro
Vejo Deus ao lado
Vejo poesia aqui.



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Presença!

Hoje recebi a ligação daquele grande amigo.
Aquele que tem a vida mais corrida do que a minha, mas ainda assim se deu o trabalho de me ligar pra saber como estou. Isso porque já havia tentado me ligar outras duas vezes na semana passada, e eu não tinha conseguido atender.
Nos falamos por uns 20 minutos, atualizamos todos os fatos, contei todas as minhas bobagens, ele riu de tudo que falei e marcamos de nos encontrar qualquer dia.

Se depender da correria do meu cotidiano, ou da rotina maluca em que ele vive, é bem mais provável que a gente se esbarre em algum lugar do que consigamos honrar com nossa tentativa de encontro.

Mas o que acho melhor disso é que não importa se vamos nos encontrar nas próximas semanas ou não.
O que importa é que quando a gente se ver, vai ser tudo como antes.
Importa que ele saiba que eu estou aqui pra ele e ele está ali pra mim.

A vida que hoje eu levo não me permite ter muito tempo pra visitar meus amigos e passar horas jogando conversa fora, mas tenho desejado ao máximo ter tempo de qualidade com os meus.

Pode ser um Bom dia, 5 minutos de conversa, um abraço apertado ou qualquer demonstração de afeto.
Importa que os pequenos gestos sejam demonstrações reais do grande afeto.


"Mas cada volta tua há de apagar o que essa ausência tua me causou..."



sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre o direito de ser eu mesma.

Há algum tempo tenho entrado dentro de um processo de auto-conhecimento.
Claro que não é um processo concreto, ou prático, ou fácil, mas é extremamente importante pro meu crescimento e conversão. Deixando de lado as divagações, acho curioso como, dia-após-dia, vamos descobrindo coisas legais e ruins sobre a gente, coisas nas quais nunca tínhamos pensado antes.

Semana passada, tava numa maré baixa, de TPM e numa sensibilidade tipo ISO 3200 (fotógrafos entenderão, rs). Fui descobrindo que sou exatamente como as pessoas que mais critico, aquelas com que tenho maior dificuldade de convivência. E por estar numa semana completamente instável (mulheres de TPM entenderão, rs), eu não estava cabendo dentro de mim mesma. Queria fugir do meu próprio corpo, da minha casa, da minha capa. Queria gritar pra todo mundo que não sou tudo o que pensam de mim. Queria dormir e acordar daqui a 5 anos (em outro planeta, de preferência).

A tensão foi embora (para a felicidade geral da nação) e eu continuei nos mesmos movimentos internos, mas dessa vez, com um olhar bem mais amoroso sobre mim mesma. Me achando parecida com Ele, encontrando dignidade no que faço, valorizando o que me tornei, percebendo que, embora seja uma árvore pequena e frágil, eu posso dar bons frutos se for bem regada.

Aí ontem, num restaurante com alguns amigos, eu, que sou tão meiga e discreta quanto um rinoceronte numa loja de cristais, comecei a derrubar coisas, me sujar, falar com a garçonete como se fosse minha amiga íntima e outras coisas absolutamente comuns pra mim. Então a Jenni (minha irmã gêmea) soltou essa pérola:

- Lá vem a Jessica fazendo "Jesquices"!

Eu morri de rir. Achei genial meu nome gerar outro substantivo. E afinal, o que são Jesquices?

Dar gargalhadas altas, sujar a roupa, imitar criança, perder objetos importantes, se tornar amiga de infância de quem acabou de conhecer, amar intensamente, perdoar facilmente, deixar tudo pra última hora, se apaixonar e depois se desapaixonar em poucas horas, e outra infinidade de coisas.



Cheguei à conclusão de que, mais do que me conhecer (e achar graça disso), preciso me fazer uma grande gentileza:
Me dar o direito de ser quem eu sou!

Fazer aquelas coisas (que são típicas de Jessica) e não me importar se estou de acordo com as expectativas alheias.

Quero melhorar: por mim, com Deus e para os outros.
Mas também quero ser eu!

Afinal, eu não sou o que pareço ser ou o que as pessoas querem que eu seja...


"Eu sou aquilo que Deus pensa de mim!" (Santa Teresinha)


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Inspire-se!

Hoje uma pessoa disse:
"Uma delícia seguir seu blog. Que não te falte inspiração."

Aí eu me lembrei que, por muitas vezes, quando o mundo estava caindo à minha volta, bastou que eu inspirasse profundamente pra que os problemas amenizassem (ou ao menos a angústia).
E nesses momentos, bastou que algo ME inspirasse pra enxergar tudo de um jeito novo.

Então eu tomei o conselho daquela pessoa como receita pros meus males cotidianos:
- que, no início de cada dia, eu inspire profundamente, enchendo meus pulmões de ar;
- e que, no início de cada dia, eu também me inspire profundamente, enchendo minha alma de vida!



"Nossa peça era a peça que faltava
Cê me inspira pra eu te respirar
Em poesia que não acaba"
(O Teatro Mágico)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Os sinais de Deus.

Hoje tive a graça de visitar uma casa de apoio a doentes com câncer.
Eu já imaginava que sairia de lá com o coração sensibilizado com as histórias que ouviríamos, mas Deus resolveu falar comigo de outro jeito.
Estávamos na capela para algumas orientações, quando um jovem de 13 anos saiu da sala chorando.
Fui até ele e questionei o motivo da emoção, e ele então descarregou em mim toda tristeza, quase revolta, com a "injustiça de Deus".
Não era uma rebeldia injustificada.
Ele argumentou comigo que crianças não deveriam ter câncer, elas não faziam nada para merecer aquilo. Que os mais velhos já tinham vivido suas vidas, mas que os pequenos ainda não tinham feito nada, sendo assim, por que ele deveria acreditar nesse Deus "que quase não dá sinais" e permite o sofrimento das pessoas?

Eu o respondi com um sorriso que nenhuma resposta seria suficiente para saciar seus questionamentos.
Mas lhe falei do cuidado de Deus, do livre arbítrio, expliquei que todos estávamos suscetíveis à doença e outros males.
Claro que fiquei balançada, porque certas coisas fogem da nossa lógica e razão.

Poucos minutos depois, enquanto todos os adolescentes devoravam a mesa de lanches, esse menino foi no pátio e buscou duas crianças e sua mãe (todos portadores de câncer) e os levou pro refeitório. Pegou refrigerante e encheu um prato pra eles. Depois, no momento dos depoimentos, ele correu pra buscar água e entregar pr'aqueles que estavam contando suas vidas e se emocionaram.

Quando tive oportunidade, o chamei e disse:
- Você disse que Deus quase não dá sinais, não é mesmo? Ele talvez não fale em voz alta ou faça coisas extraordinárias o tempo inteiro, mas hoje, Deus deu sinais da Sua presença através de você.

Ele retrucou:
- Não. Isso é educação.

Eu respondi:

- Meu bem, você foi quem mais questionou Deus, mas hoje, você foi mais cristão do que todos nós.
Você entendeu a proposta dEle...


"Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mateus 25,40)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O início...

Não sou uma escritora. 
Também não sou metódica ou disciplinada o suficiente pra escrever todos os dias. Fiz diários em diferentes momentos da minha vida, mas em menos de um mês eu desistia, esquecia ou deixava pra lá.

Eu gosto de escrever, gosto de manifestar o que penso, devanear sobre assuntos sem muita relevância ou simplesmente poetizar. E tenho muitos amigos que gostam de ler o que escrevo.
Então para felicidade de todos (ou para a minha somente, tanto faz), criei esse blog.

A verdade é que, embora queira parecer diferente ou especial, sou assim: um clichê ambulante.
Então, caro leitor, não tenha grandes expectativas sobre meus rabiscos. Não são primores literários, mas são as verdades dessa pequena alma artista.

PS: "Vou te cantar" tem mais a ver com a melodia de minhas palavras, do que com cantadas e indiretas amorosas. Tampouco prometo que não farei isso por aqui...