quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sem vergonha.

Hoje um colega de trabalho entrou em minha sala e disse que eu estava muito bonita e ficava muito bem nesse uniforme. rs
Eu sorri, agradeci a gentileza.

Ele disse que não era gentileza, era a verdade.
Ressaltou que ele faz questão de dizer para a própria pessoa o que as pessoas acabam comentando pelas costas.
Fiquei lisonjeada novamente.

Então ele concluiu seu pensamento dizendo que nos velórios as pessoas normalmente ficam lamentando a perda e dizendo: "Fulano era tão bom". Será que alguém chegou a dizer pro Fulano o quanto ele era bom?

Nosso diálogo durou menos de 1 minuto, mas a reflexão vai durar bem mais.

Eu tenho percebido que as pessoas não saem de suas fronteiras, não se dirigem às outras, não expressam seus afetos e justificam tudo com um sentimentozinho irritante a que chamam de vergonha. Isso deveríamos ter de nossas faltas, de nossas limitações. Não deveríamos ter vergonha do que somos, de falar nossas verdades, de ir até o outro, de dizer que amamos.


Temos brigado tanto por uma liberdade de pensamento, liberdade de expressão... e nos aprisionamos cada vez mais dentro de nós mesmos, seguindo a ditadura da timidez.

"Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder... se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer." (Lulu Santos)

Por que esconder?
Por que temos medo do sentir?

Me lembro de quando eu fazia 1ª série e tinha aqueles dois garotos:

- O Valtinho, que era filho da dona da escola, e dançou quadrilha comigo (tenho até foto com ele). 
Certa vez, minha mãe foi chamada na direção, mas não por alguma indisciplina. A diretora quis contar pra ela que o Valtinho estava apaixonado por mim, e que ele nem estava brigando mais pra tomar banho de manhã porque queria chegar cheiroso na escola. (Um adendo: morro de vontade de ver o Valtinho. Alguém sabe por onde ele anda? kkk)

-O Diogo, irmão gêmeo do Diego que gostava da minha irmã gêmea, também se dizia apaixonado por mim. E um dia eu até recebi uma carta linda (com uma letra garranchada) acompanhada de uma caixa de chocolates da Garoto.

Ah... tempos bons eram aqueles em que a gente podia gostar, jurar amor eterno, escrever carta quilométrica perfumada, depois mudar de escola e pronto! Se apaixonar por outra pessoa. rs

Amar não é crime. É virtude.
Então, se você ama alguém, se admira por alguma qualidade, é encantado por uma atitude... DIGA!

Por um mundo onde haja LIBERDADE DE SENTIMENTO (e claro, a expressão do que sentimos).


"O que falta no mundo não é Amor.
Mas a expressão do amor." (Fernando Bacelar)




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre o direito de ser simples!

Desde criança sempre fui popular.
Nunca fui aquela patricinha de Beverly Hills com um cabelo loiro esvoaçante andando com as meninas bonitas do colégio, mas eu tinha outros artifícios.

Pra começar sou gêmea e, mesmo que não haja nada de extraordinário nisso, as pessoas se encantam com o fato de duas pessoas com personalidades e almas diferentes terem uma imagem tão semelhante. Ser gêmea sempre me colocou no alvo das atenções na rua, no colégio, na igreja ou em qualquer lugar.

“Fala com a Jessica” “Qual Jessica?” “A das gêmeas!” “Ah, sei!”.

Há alguns dias, uma mulher me reconheceu numa Igreja por causa do CD e foi correndo chamar o marido: “Olha, Bem, é as gêmeas!”. Achei graça porque não estava com a Jennifer. Mesmo assim eu era “as gêmeas”. Hahaha

Além desse fato natural e genético, eu sempre fui boa em aprender. Estava nas melhores classificações das notas, ensinava matemática e física pra todo mundo. Tenho uma memória razoavelmente boa (tá bom, minha memória chega a ser meio assustadora!). Nunca fui a nerd que se sentava na primeira cadeira, mas era aquela que aprendia na primeira explicação, não estudava em casa, mas me saía muito bem nas provas. Você já deve ter odiado alguém assim, né? Desculpe pela parte que me toca. Rs

E por último, mas não de menor importância, sou artista. Eu canto desde que me entendo por gente, toco violão desde os 13 e componho desde os 14. Ao longo da minha vida eu não conheci um ser humano que não gostasse de música, sendo assim, é natural que as pessoas se encantem pelo que faço.

Bem, a essa altura você deve estar certo que sou mesmo popular e conhecida por onde passo, né? Mas já vou te mostrar aonde quero chegar...


Nessa fase da minha vida, conheci de perto algumas pessoas e celebridades que admirava, pude cantar com uns, almoçar com alguns, e ter conversas bem profundas com outros. E o que sempre percebi: eles nunca são como imaginávamos. Quando eu os ouvia pelo meu celular ou os assistia pregando na televisão, eu criava ali uma imagem bem distante do que são.
Quando eu os pude conhecer de perto, percebi que são todos humanos.  Alguns chatos e exigentes, outros introspectivos e fechados. A verdade é que nós os “conhecemos” de longa data, acompanhamos seus trabalhos, os levamos pra dentro de nossas casas, de nossas histórias e os fazemos cúmplices de nós... Mas eles? Eles não nos conhecem. Por que motivo deveriam nos tratar como se fossem nossos amigos íntimos?

Hoje, de certa forma, experimento como é estar do outro lado. Ser reconhecida em quase todos os lugares, ter pessoas que me admiram e outras até bajuladoras. Essas pessoas têm expectativas sobre mim, sobre o que sou. Elas conversam comigo, me trazem seus problemas, pecados e anseios. Elas me tratam como se eu fosse visita ilustre em suas casas.

Mas eu ainda sou só eu. Embora seja bem extrovertida, eu também tenho meus momentos de mau-humor e impaciência, eu também sinto vergonha e fico constrangida.
Não desmereço o reconhecimento, ou a fama por assim dizer. Hoje tenho um poder de influência muito grande, o que é ótimo pra evangelização ou pra simples exposição das minhas ideias. O que antes era publicado entre 10 ou 12 amigos, hoje alcança milhares de pessoas. E eu também gosto, como ser humano, de que as pessoas valorizem meu trabalho, apreciem minha arte, respeitem o que sou.

Mas eu não sou perfeita. Não sou célebre. Não sou melhor ou mais cristã do que a Dona Maria que não vai à Igreja, mas confia cegamente na misericórdia de Deus.
Eu ainda sou aquela menina simples, desastrada, teimosa, que sonha em ser mãe e brincar de escorregar no sabão com meus filhos. Eu ainda sou a Jessica, que tem TPM, que faz dieta, que esquece das coisas importantes, que deixa o quarto bagunçado, que precisa de férias, que às vezes quer se esconder embaixo da cama e esperar o escuro ir embora.

Eu ainda sou eu mesma e não há nada de ilustre, ou célebre, ou extraordinário nisso.
Não espere tanto de mim.


Se Deus é simples, por que eu não deveria ser?

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Sobre a amizade dEle...

Quando eu fazia 5ª série, minha mãe foi chamada na escola. Aquela professora chata estava sugerindo que minha mãe não me deixasse mais andar com uma amiga porque eu era muito inteligente e ela, ao contrário, era muito custosa e ia reprovar naquele ano. Segundo a professora, ela era uma má influência pra mim. O único problema é que aquela menina era minha melhor amiga, então eu não me importei com o que pensava aquela professora.

De fato, minha amiga reprovou no final do ano, mas não deixamos de ser amigas por isso. Eu não fiquei mais indisciplinada por causa dela, mas ela começou a estudar bem mais por minha causa.
Me lembro que no restante da minha vida escolar, eu que sempre fui meio nerd, gostava de sentar no fundão com os pestinhas. Eles não me contaminavam ou me faziam menos inteligente, mas eu os ajudava antes das provas.

Hoje, pensando nisso, me perguntei: e se as pessoas vissem Jesus andando comigo no recreio? Se o vissem repartindo o lanche comigo, me contando histórias, enxugando meu choro e me fazendo rir... Certamente pensariam que eu não sou boa companhia pra Ele.



Mas sabe? Jesus não se importaria com isso! Ele é meu melhor amigo. Ele não importa de ser visto andando com os piores, pescadores e pecadores.
Aliás, ele tem certa predileção pelos miseráveis. Não é à toa que Ele me ama tanto.


Eu às vezes me pego pensando nisso, e vejo que não há tanta lógica em ser amiga dEle que é tão bom pra mim, e eu tão infiel. Entretanto, Jesus faz questão de continuar visitando minha casa, andando ao meu lado, me ajudando nas provas. Ele gosta tanto de me receber em sua casa, que até a mãe dele me aceitou por sua filha. Realmente não há logica em nossa amizade, mas quem disse que a amizade precisa de lógica?

Amizade precisa de coração aberto e isso meu MELHOR AMIGO tem de sobra...


(Texto lido no Recital Entre Amigos no VII Acampamento Ser de Deus)