quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre o direito de ser simples!

Desde criança sempre fui popular.
Nunca fui aquela patricinha de Beverly Hills com um cabelo loiro esvoaçante andando com as meninas bonitas do colégio, mas eu tinha outros artifícios.

Pra começar sou gêmea e, mesmo que não haja nada de extraordinário nisso, as pessoas se encantam com o fato de duas pessoas com personalidades e almas diferentes terem uma imagem tão semelhante. Ser gêmea sempre me colocou no alvo das atenções na rua, no colégio, na igreja ou em qualquer lugar.

“Fala com a Jessica” “Qual Jessica?” “A das gêmeas!” “Ah, sei!”.

Há alguns dias, uma mulher me reconheceu numa Igreja por causa do CD e foi correndo chamar o marido: “Olha, Bem, é as gêmeas!”. Achei graça porque não estava com a Jennifer. Mesmo assim eu era “as gêmeas”. Hahaha

Além desse fato natural e genético, eu sempre fui boa em aprender. Estava nas melhores classificações das notas, ensinava matemática e física pra todo mundo. Tenho uma memória razoavelmente boa (tá bom, minha memória chega a ser meio assustadora!). Nunca fui a nerd que se sentava na primeira cadeira, mas era aquela que aprendia na primeira explicação, não estudava em casa, mas me saía muito bem nas provas. Você já deve ter odiado alguém assim, né? Desculpe pela parte que me toca. Rs

E por último, mas não de menor importância, sou artista. Eu canto desde que me entendo por gente, toco violão desde os 13 e componho desde os 14. Ao longo da minha vida eu não conheci um ser humano que não gostasse de música, sendo assim, é natural que as pessoas se encantem pelo que faço.

Bem, a essa altura você deve estar certo que sou mesmo popular e conhecida por onde passo, né? Mas já vou te mostrar aonde quero chegar...


Nessa fase da minha vida, conheci de perto algumas pessoas e celebridades que admirava, pude cantar com uns, almoçar com alguns, e ter conversas bem profundas com outros. E o que sempre percebi: eles nunca são como imaginávamos. Quando eu os ouvia pelo meu celular ou os assistia pregando na televisão, eu criava ali uma imagem bem distante do que são.
Quando eu os pude conhecer de perto, percebi que são todos humanos.  Alguns chatos e exigentes, outros introspectivos e fechados. A verdade é que nós os “conhecemos” de longa data, acompanhamos seus trabalhos, os levamos pra dentro de nossas casas, de nossas histórias e os fazemos cúmplices de nós... Mas eles? Eles não nos conhecem. Por que motivo deveriam nos tratar como se fossem nossos amigos íntimos?

Hoje, de certa forma, experimento como é estar do outro lado. Ser reconhecida em quase todos os lugares, ter pessoas que me admiram e outras até bajuladoras. Essas pessoas têm expectativas sobre mim, sobre o que sou. Elas conversam comigo, me trazem seus problemas, pecados e anseios. Elas me tratam como se eu fosse visita ilustre em suas casas.

Mas eu ainda sou só eu. Embora seja bem extrovertida, eu também tenho meus momentos de mau-humor e impaciência, eu também sinto vergonha e fico constrangida.
Não desmereço o reconhecimento, ou a fama por assim dizer. Hoje tenho um poder de influência muito grande, o que é ótimo pra evangelização ou pra simples exposição das minhas ideias. O que antes era publicado entre 10 ou 12 amigos, hoje alcança milhares de pessoas. E eu também gosto, como ser humano, de que as pessoas valorizem meu trabalho, apreciem minha arte, respeitem o que sou.

Mas eu não sou perfeita. Não sou célebre. Não sou melhor ou mais cristã do que a Dona Maria que não vai à Igreja, mas confia cegamente na misericórdia de Deus.
Eu ainda sou aquela menina simples, desastrada, teimosa, que sonha em ser mãe e brincar de escorregar no sabão com meus filhos. Eu ainda sou a Jessica, que tem TPM, que faz dieta, que esquece das coisas importantes, que deixa o quarto bagunçado, que precisa de férias, que às vezes quer se esconder embaixo da cama e esperar o escuro ir embora.

Eu ainda sou eu mesma e não há nada de ilustre, ou célebre, ou extraordinário nisso.
Não espere tanto de mim.


Se Deus é simples, por que eu não deveria ser?

5 comentários:

  1. Você é perfeita na simplicidade de amar. Isso é tudo! É o mistério da vida.
    Beijinho com carinho...Cléo

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  2. Me identifiquei com seu texto e me emocionei ao ler os últimos parágrafos. Cobramos tanto da gente neh?! Mas as vezes não percebemos que talvez Deus queira somente o de mais simples que temos a oferecer e ser nós mesmos. Obrigada por compartilhar sua simplicidade, isso te torna grande diante de Deus. Deus te abençoe!!

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  3. Sou uma fã apaixonada pelas "gêmeas" ,porém tenho vergonha e medo de falar com vocês! Na verdade isso acontece com toda a minha família , todos somos fãs de caterinha das famosas "gêmeas". Já perdi a conta de quantas vezes deixamos (eu e minha família) , de ir na nossa paroquia , só pra ir na piox ouvir você Jessica , ou sua irmã cantando. E realmente algo que supera todo encanto do mundo , que toca nossos corações de maneira inexplicável. Uma situação engraçada uma vez , foi quando íamos pra missa na piox , e depois descobrimos que nenhuma de vocês iam cantar. Depois de um tempo , minha mãe te viu Jessica , e me falou assim , "Olha lá Darah , uma das gêmeas , vai la mandar ela ir cantar." Kkkk eu vergonhosa e por não ter intimidade com vocês falei , "eu não ! " kkk

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