Desde criança sempre fui popular.
Nunca fui aquela patricinha de Beverly Hills com um cabelo
loiro esvoaçante andando com as meninas bonitas do colégio, mas eu tinha outros
artifícios.
Pra começar sou gêmea e, mesmo que não haja nada de
extraordinário nisso, as pessoas se encantam com o fato de duas pessoas com
personalidades e almas diferentes terem uma imagem tão semelhante. Ser gêmea
sempre me colocou no alvo das atenções na rua, no colégio, na igreja ou em
qualquer lugar.
“Fala com a Jessica” “Qual Jessica?” “A das gêmeas!” “Ah,
sei!”.
Há alguns dias, uma mulher me reconheceu numa Igreja por
causa do CD e foi correndo chamar o marido: “Olha, Bem, é as gêmeas!”. Achei
graça porque não estava com a Jennifer. Mesmo assim eu era “as gêmeas”. Hahaha
Além desse fato natural e genético, eu sempre fui boa em
aprender. Estava nas melhores classificações das notas, ensinava matemática e
física pra todo mundo. Tenho uma memória razoavelmente boa (tá bom, minha
memória chega a ser meio assustadora!). Nunca fui a nerd que se sentava na
primeira cadeira, mas era aquela que aprendia na primeira explicação, não
estudava em casa, mas me saía muito bem nas provas. Você já deve ter odiado
alguém assim, né? Desculpe pela parte que me toca. Rs
E por último, mas não de menor importância, sou artista. Eu
canto desde que me entendo por gente, toco violão desde os 13 e componho desde
os 14. Ao longo da minha vida eu não conheci um ser humano que não gostasse de
música, sendo assim, é natural que as pessoas se encantem pelo que faço.
Bem, a essa altura você deve estar certo que sou mesmo
popular e conhecida por onde passo, né? Mas já vou te mostrar aonde quero
chegar...
Nessa fase da minha vida, conheci de perto algumas pessoas e
celebridades que admirava, pude cantar com uns, almoçar com alguns, e ter
conversas bem profundas com outros. E o que sempre percebi: eles nunca são como
imaginávamos. Quando eu os ouvia pelo meu celular ou os assistia pregando na
televisão, eu criava ali uma imagem bem distante do que são.
Quando eu os pude conhecer de perto, percebi que são todos
humanos. Alguns chatos e exigentes,
outros introspectivos e fechados. A verdade é que nós os “conhecemos” de longa
data, acompanhamos seus trabalhos, os levamos pra dentro de nossas casas, de
nossas histórias e os fazemos cúmplices de nós... Mas eles? Eles não nos
conhecem. Por que motivo deveriam nos tratar como se fossem nossos amigos
íntimos?
Hoje, de certa forma, experimento como é estar do outro
lado. Ser reconhecida em quase todos os lugares, ter pessoas que me admiram e outras
até bajuladoras. Essas pessoas têm expectativas sobre mim, sobre o que sou.
Elas conversam comigo, me trazem seus problemas, pecados e anseios. Elas me
tratam como se eu fosse visita ilustre em suas casas.
Mas eu ainda sou só eu. Embora seja bem extrovertida, eu
também tenho meus momentos de mau-humor e impaciência, eu também sinto vergonha
e fico constrangida.
Não desmereço o reconhecimento, ou a fama por assim dizer.
Hoje tenho um poder de influência muito grande, o que é ótimo pra evangelização
ou pra simples exposição das minhas ideias. O que antes era publicado entre 10
ou 12 amigos, hoje alcança milhares de pessoas. E eu também gosto, como ser
humano, de que as pessoas valorizem meu trabalho, apreciem minha arte,
respeitem o que sou.
Mas eu não sou perfeita. Não sou célebre. Não sou melhor ou
mais cristã do que a Dona Maria que não vai à Igreja, mas confia cegamente na
misericórdia de Deus.
Eu ainda sou aquela menina simples, desastrada, teimosa, que
sonha em ser mãe e brincar de escorregar no sabão com meus filhos. Eu ainda sou
a Jessica, que tem TPM, que faz dieta, que esquece das coisas importantes, que
deixa o quarto bagunçado, que precisa de férias, que às vezes quer se esconder
embaixo da cama e esperar o escuro ir embora.
Eu ainda sou eu mesma e não há nada de ilustre, ou célebre,
ou extraordinário nisso.
Não espere tanto de mim.
Se Deus é simples, por que eu não deveria ser?

Você é perfeita na simplicidade de amar. Isso é tudo! É o mistério da vida.
ResponderExcluirBeijinho com carinho...Cléo
Saudadinha Cleo.
ExcluirMe identifiquei com seu texto e me emocionei ao ler os últimos parágrafos. Cobramos tanto da gente neh?! Mas as vezes não percebemos que talvez Deus queira somente o de mais simples que temos a oferecer e ser nós mesmos. Obrigada por compartilhar sua simplicidade, isso te torna grande diante de Deus. Deus te abençoe!!
ResponderExcluirObrigada pelo carinho de sempre, Tayrini.
ExcluirSou uma fã apaixonada pelas "gêmeas" ,porém tenho vergonha e medo de falar com vocês! Na verdade isso acontece com toda a minha família , todos somos fãs de caterinha das famosas "gêmeas". Já perdi a conta de quantas vezes deixamos (eu e minha família) , de ir na nossa paroquia , só pra ir na piox ouvir você Jessica , ou sua irmã cantando. E realmente algo que supera todo encanto do mundo , que toca nossos corações de maneira inexplicável. Uma situação engraçada uma vez , foi quando íamos pra missa na piox , e depois descobrimos que nenhuma de vocês iam cantar. Depois de um tempo , minha mãe te viu Jessica , e me falou assim , "Olha lá Darah , uma das gêmeas , vai la mandar ela ir cantar." Kkkk eu vergonhosa e por não ter intimidade com vocês falei , "eu não ! " kkk
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