Acordo cedo, trabalho o dia inteiro, chego em casa exausta (física e mentalmente), e à noite só quero minha cama.
Me lembro que no ano passado eu até dei graças a Deus por estar solteira só pra não precisar dar atenção pra ninguém. rs
Mas nesse ano tive uma feliz surpresa: era uma segunda-feira daquelas. Estava cuidando de mil coisas ao mesmo tempo quando meu namorado chegou aqui na empresa. Mesmo que eu não pudesse lhe dar atenção ele quis me esperar. Ele me viu resmungar, reclamar, e ficou ali, ora em silêncio, ora me fazendo sorrir. Depois me levou embora, me abraçou e entendeu o meu cansaço.
Então eu contei a ele que antes eu preferia não estar namorando só pra não ser obrigada a cuidar de ninguém naquele momento. Ele me sorriu e disse que nesse instante ele é quem deveria cuidar de mim.
Esse texto não é pra contar as vantagens de ter um namorado maravilhoso (embora seja esse o caso), mas pra falar dessas pessoas que descansam nossa alma.
Eu tenho visto cada vez mais as pessoas com aquela necessidade extrema de competir problemas. Se você reclama de algo, o outro já diz: "Nossa, nem me fale.". E lá vem reclamações.
As pessoas andam por aí exibindo o tamanho de suas cruzes, implorando um pouco de pena (já não bastasse a auto-piedade enraizada em suas consciências). Já não vemos tantos Cirineus, capazes de deixar de lado por um instante suas misérias pra acolher a dor e o cansaço do outro.
Não me entenda mal. Não estou sugerindo que você coloque um sorriso no rosto e finja não ter problemas... Mas se sua cruz está pesada, pare de lamentar, reclamar e jogar nas pessoas todas as suas angústias... e peça ajuda.
Carregue também um pouco da cruz do outro.
Quando você chega, as pessoas sentem o alívio do encontro ou o incômodo da presença?
"A minha vontade é de ser pra você feito sombra e descanso sem fim." (Padre Fábio de Melo)

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